O Peregrino

Leitura do Momento: O Homem e seus símbolos (C. J. Jung)

Impossibilidade! portanto, muralha de pedra. Mas que muralha é essa? São as leis naturais, evidentemente, os resultados das ciências exatas, as matemáticas. Se vos demonstram, por exemplo, que descendeis do macaco, inútil fazer cara feia! deveis aceitá-lo. Se vos provam que uma só gota de vossa gordura vos deve ser mais cara que cem mil dos vossos semelhantes, e que por isso que desabrocham todas as virtudes, todas as obrigações e outras fantasias e preconceitos, não há nada a fazer, deveis aceitá-lo, porque duas vezes dois são quarto; é a força das matemáticas. Tentai um pouco discutir!
“Perdão!”, exclamarão, “vós não podeis protestar: duas vezes dois são quatro. A natureza não se importa com as vossas pretensões; ela não se preocupa com os vossos desejos, e, se suas leis não vos convém, pouco se lhe dá. Sois obrigado a aceitá-la como é, assim como todas as conseqüências. Um muro é um muro…”, etc., etc. Mas que me importam, meu Deus! As leis da natureza e a aritmética, se por uma razão ou por outra, essas leis e este “duas vezes dois são quatro” não me agradam? Não poderei evidentemente quebrar esse muro com a cabeça, se minhas forças não são suficientes; mas recuso-me a me humilhar diante desse obstáculo, pela única razão de que é um muro de pedra e que minhas forças são insuficientes!
Como se esse muro pudesse me trazer um apaziguamento qualquer, como se alguém se pudesse reconciliar com o impossível pela única razão de ter sido estabelecido “dois e dois serem quatro”. Ah! o mais absurdo de todos os absurdos!
Quanto é mais penoso compreender tudo, tomar consciência de todas as impossibilidades, de todos os muros de pedra; porém não se humilhar diante de nenhuma dessas impossibilidades, diante de nenhuma dessas muralhas se isso te repugna, chegar, seguindo as deduções lógicas mais inelutáveis, às conclusões mais desesperadoras, no tocante a esse tema eterno de tua parte de responsabilidade nessa muralha de pedra, se bem que esteja claro até a evidência que tu não estás aqui para nada, e em conseqüência, mergulhares silenciosamente, mas rangendo deliciosamente os dentes, na tua inércia, pensando que não podes mesmo te revoltar contra seja o que for, porque não há ninguém em suma, porque isto não é uma farsa, senão urna falcatrua, porque é uma trapalhada, não se sabe o quê nem se sabe quem, porém que, malgrado todas estas velhacadas, malgrado esta ignorância, tu sofres, e tanto mais quanto menos compreendes.

Los periódicos son todos de los bancos, recuerdalo.

o bilhete

No papel recortado em forma de coração

e com uma caligrafia que lembrava raios
Macário escreveu ‘eu te amu’.

A vida, entretanto, não corrigiu sua ortografia.
Manuela estava certa que ele a amava.

Tomou a declaração
como uma canção sincopada
de amor perfeito.

Ehre

A manifestação mais frequente da anima é a que torna a forma de uma fantasia erótica. Os homens podem ser levados a alimentar essas fantasias no cinema, nos shows de strip-tease ou nas revistas e livros pornográficos. É um aspecto primitivo e grosseiro da anima, mas que só se torna compulsivo quando o homem não cultiva suficientemente suas relações afetivas - quando a sua atitude para com a vida mantém-se infantil.

Nas suas manifestações individuais, o caráter da anima de um homem é, em geral, determinado por sua mãe. Se o homem sente que sua mãe teve sobre ele uma influência negativa, sua anima vai expressar-se, muitas vezes, de maneira irritada, depressiva, incerta, insegura e suscetível. No interior da alma deste tipo de homem, a figura negativa da mãe-anima repetirá, incessantemente o mesmo tema: “Não sou nada. Nada tem sentido. Com todas as outras é diferente, mas comigo… Nada me dá prazer.” Esses humores da anima provocam uma espécie de apatia, um medo de doenças, de impotência ou de acidentes.

Anima é a personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem - os humores e sentimentos instáveis, as intuições proféticas, a receptividade ao irracional, a capacidade de amar, a sensibilidade à natureza e, por fim, mas não menos importante, o relacionamento com o inconsciente.

Alguns homens anseiam pela revolução, mas quando você se revolta e constitui seu novo governo você descobre que o seu novo governo é ainda o velho papai de sempre, tendo colocado apenas uma nova máscara de papelão.

Ler "Crônicas da Vida - Privacidade e a Intromissão Alheia"

Você está mesmo seguro de que suas informações estão bem guardadas?

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti

O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia.

É preciso muita coragem para levar o inconsciente a sério e enfrentar os problemas que ele desperta.

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